Caravela do mar

Atendendo a alguns pedidos, no post anterior falamos de águas-vivas, aparentemente inofensivas, mas que realmente são um verdadeiro perigo pra quem entrar em contato com alguma delas.

Recentemente também recebemos um e-mail de uma ouvinte falando sobre a caravela do mar. Ela disse que no final do ano passado, durante suas férias no litoral sul paulista, viu uma delas enquanto caminhava pela praia e resolveu tirar foto pra mandar pra gente!!!

Ficamos felizes por ter lembrado do nosso blog e resolvemos fazer uma postagem explicando um pouco mais pra todo mundo conhecer e saber diferenciar das outras espécies de água viva.

As caravelas-do-mar pertencem ao filo Cnidaria, e são constantemente confundidas com outro integrante do grupo: as águas vivas. No entanto, as caravelas possuem características que as tornam únicas: elas representam o único organismo formado por uma colônia heteromorfa entre as mais de 11 mil espécies de cnidários reconhecidas. Isto significa que seu corpo é formado pela junção de quatro tipos de pólipos, animais que possuem morfologia bastante distinta em relação às medusas. Enquanto as últimas apresentam umbrela, a parte redonda e gelatinosa na extremidade superior do corpo que contém a cavidade gastrovascular, tentáculos e boca voltados para baixo, os pólipos são caracterizados pela boca e tentáculos voltados para cima e cavidade gastrovascular na base do corpo. A reprodução desses organismos também difere entre si: a forma assexuada é mais predominante entre os pólipos, e ocorre por fissão ou brotamento, enquanto as medusas reproduzem-se preferencialmente de forma sexuada, dando origem à uma larva plânula pelágica. Ambas as formas poliploide e medusoide apresentam simetria radial, e duas camadas de tecido corporal, a epiderme (mais exterior) e a gastroderme (mais interior), as quais são separadas por uma massa gelatinosa denominada mesogleia.

Até o presente momento, a única caravela com identificação confirmada é a caravela portuguesa Physalia physalis, também conhecida popularmente como garrafa-azul

caravela do mar na praia do Cibratel Dois, Itanhaém, SP. Foto: Thabata Dias/ouvinte

Águas vivas

 

água viva transparente muito comum no litoral sul brasileiro

A água-viva é um animal marinho, invertebrado pertencente ao filo dos cnidários. O corpo de uma água-viva adulta é composto de uma substância gelatinosa em forma de sino que envolve sua estrutura interna, da qual os saem vários tentáculos.

As águas-vivas são um dos seres mais intrigantes do reino animal têm muitas formas e cores diferentes e variam em tamanho. Em geral, medem de poucos milímetros e podem chegar a 3 metros de diâmetro.

Uma espécie de água-viva encontrada no mar frio do Ártico é enorme, seu corpo pode ter mais de 2,5 metros de largura e seus tentáculos podem ter incríveis 36 metros de comprimento.

Embora as águas-vivas frequentemente sejam transparentes ou de cor azul pálida, elas também podem ser amarelas, azuis profundas, púrpura brilhante, lilás, laranja brilhante, vermelho escuro.

Algumas águas-vivas, quando são perturbadas durante a noite, são capazes de produzir luz por bioluminescência.

As águas-vivas são constituídas por uma camada de epiderme, gastroderme, e uma espessa camada gelatinosa chamada mesogleia que separa a epiderme da gastroderme. Os tentáculos de uma água-viva são cobertos com células que picam, chamadas de cnidócitos. Elas liberam uma substância urticante capaz de espantar predadores e paralisar suas presas

Habitat:

As águas-vivas são habitantes dos mares tropicais e das águas frias do Árticoonde estão há mais de 650 milhões de anos. São animais pelágicos, isto é, vivem no mar aberto e, embora possam ser impulsionados com movimentos rítmicos de seus guarda-chuvas, movem-se basicamente à mercê das correntes marítimas.

As águas-vivas sobreviveram por muito tempo em seus habitats aquáticos. Estão na Terra há milhões de anos e podem ser encontradas em todos os oceanos

 Queimadura causada por água-viva

Queimadura de água-viva é um problema relativamente comum para as pessoas que nadam ou mergulham no mar. Seus longos tentáculos podem injetar veneno usando milhares de picadas microscópicas. Essas mordidas variam muito em gravidade. Na maioria dos casos, causam dor imediata e marcas vermelhas e irritação da pele.

Algumas picadas podem causar doenças sistêmicas, ou seja, por todo o corpo, não somente no local e, em casos raros, as picadas de água-viva são potencialmente mortais.

A dor ardente, manchas vermelhas, marrons ou violetas na pele, coceira, inchaço e dor latejante que irradia de uma perna ou braço são os sintomas de uma queimadura de água viva.

Banhista teve a perna queimada por água viva na praia

O que fazer quando houver uma queimadura de água-viva:

Se as células pungentes de uma água-viva entrarem em contato com sua pele, elas liberarão um veneno que pode causar vários sintomas. Os mais comuns são: forte dor local, inchaço da pele, vermelhidão ou feridas, dor de cabeça, náuseas, vômito e diarreia, além de tremores e suor

Tratamento:

Despeje vinagre sobre os tentáculos, imobilize a área picada e tente deixar a vítima deitada, se possível.

O melhor e mais correto a fazer, no entanto, é procurar atendimento médico com urgência!!!

Vamos falar de maritacas?

O trabalho em home office, às vezes, é cansativo, mas pode se tornar atraente se você começar a observar detalhes ao redor da sua residência que, antes da pandemia, não faziam a menor diferença.

Se você estiver lendo esse post agora, e discordar de mim, tudo bem: de repente isso vale pra mim justamente porque estou escrevendo sobre meio ambiente e porque dois casais de maritacas estão no telhado da casa da minha vizinha fazendo a maior algazarra, dando a entender que seriam dezenas deles!

Então, resolvi abrir outra página do word e vou aproveitar o clima pra falar das maritacas, como já nos acostumamos a elas e como mantemos uma boa convivência.

casal de maritacas em telhado de uma casa na zona oeste de São Paulo

As maritacas, também conhecidas como periquitão-maracanã, são psitacídeos encontrados em muitos países da América do Sul, sendo, em muitos locais do continente, considerado sinantrópicos, ou seja, animais silvestres que são comumente confundidos com animais domésticos devido à sua frequência em cidades. Nas áreas urbanas, esses animais não só sobrevivem como também se reproduzem, o que muitas vezes gera conflitos com os humanos por serem extremamente barulhentas, tanto quando estão voando como paradas nos beirais dos telhados.

Na época reprodutiva, esses animais formam casais e procuram – cada casal isoladamente – locais para nidificar. A nidificação pode ocorrer em ocos de pau, palmeiras de buriti, paredões de pedra e no caso dos centros urbanos, comumente em telhados de edificações. Os ovos são postos diretamente na superfície do local de nidificação, como em muitos psitacídeos e assim, não possuem o hábito de juntar material para a construção de um ninho, como muitas vezes observados em espécies de passeriformes.

Estudos apontam que o consumo de terra (geofagia) auxilia na redução da toxidez de alguns dos compostos das plantas que a ave ingere, além de fornecer nutrientes como sais minerais. Fora da cidade, elas costumam encontrar esse alimento em barrancos.

Como o bico das maritacas cresce bastante, elas costumam raspar em alguma pedra para fazer uma manutenção natural

As maritacas (Psittacara leucophtalma) antes classificadas no gênero Aratinga, são animais de coloração esverdeada que apresentam as coberteiras inferiores da asa vermelhas, podendo possuir penas vermelhas também nas laterais da cabeça e no pescoço.

Pesam em torno de 140 a 171 gramas e possuem um tamanho médio de 30 a 32 centímetros. Alimentam-se de frutos e sementes e habitam na natureza, tanto áreas de bordas de mata e cerradão, como também áreas abertas.

São facilmente avistadas no período não reprodutivo, quando possuem o hábito de voar em bandos de 5 a 40 indivíduos.

Vivem, em média, de 20 a 30 anos em cativeiro, tempo que diminui se for na natureza, por estarem expostas a condições climáticas mais intensas.

As gerações mais antigas achavam que as maritacas podiam ser retiradas da natureza para se tornarem animais de estimação, mas, felizmente, esse conceito foi revisto e foram criadas leis de proteção da fauna e flora brasileiras.

Hoje, portanto, é CRIME criar aves retiradas da natureza sem critério e prévia autorização dos órgãos governamentais

 

Reciclagem pelo mundo: Canadá

O post que fizemos sobre reciclagem pelo mundo nos deu um retorno bem interessante.

Dois ouvintes acessaram o blog, deixaram comentários, deram dicas e demonstraram interesse em colaborar, dizendo como é o processo de reciclagem nas cidades onde moram.

Uma dessas ouvintes é a Regina Soranz. Ela mora em Sudbury, província de Ontário, no Canadá.

Vamos conhecer, então, como é a reciclagem por lá?

Nesse local, os moradores separam o lixo em caixas coloridas:

A caixa azul é destinada ao depósito de produtos recicláveis. A de cor verde para lixo orgânico: restos de comida, plantas, papéis usados como guardanapos de papel, também papel toalha, coadores de café e panos de limpeza doméstica. Essa caixa verde fica fechada e é chamada de Green box. Todo material dessas green boxes dá origem a um adubo que é vendido a um preço bem barato para as pessoas comprarem e utilizarem em jardins. As caixas plásticas verde e azul são fornecidas gratuitamente pelo governo. Basta ligar pedindo e eles entregam na casa do morador.

No caso do lixo comum, cada morador deve armazenar todo conteúdo consumido num único saco de lixo na cor preta, devidamente fechado. Os coletores não recolhem o lixo se estiver armazenado em sacos pequenos, como vemos com frequência aqui no Brasil.

Nesse saco de lixo comum deve ser depositado tudo aquilo que não é composto e nem reciclável. Esse material é recolhido somente a cada 15 dias e se, por acaso, ultrapassar um saco, os moradores têm de pagar pelo saco excedente!!!

A ideia é fazer com que as pessoas tenham realmente consciência ambiental, e consumam menos produtos.

folder explicativo sobre o que depositar em cada caixa reciclável

Regina também nos contou como é feito o descarte de galhos de plantas. Bem interessante, ouçam só:

E no caso de móveis usados que as pessoas não querem mais? Ela também comentou a respeito:

Os produtos considerados perigosos ao meio ambiente como restos de tinta, pilhas velhas, óleo automotivo, produtos de limpeza e remédios têm destino certo em Sudbury. Existe um posto específico para esse descarte. Aberto ao público uma vez por mês, as pessoas ainda contam com a facilidade de nem precisar sair do veículo para descartar esse tipo de lixo. Basta colocar tudo no porta-malas do carro e um funcionário do local se encarrega de retirar esse tipo de descarte.

Mas se, por acaso, a pessoa não puder sair de casa para levar esse tipo específico de produto, ela telefona para esse mesmo local e combina para que alguém possa estar retirando.

Nossa ouvinte Regina Soranz também explicou o funcionamento do que seria,  aqui no Brasil, um Ecoponto.

Segundo ela, o espaço é muito limpo e organizado, e próprio para receber restos de materiais de construção, pedaços de madeira,  galhos de poda de árvores e outras plantas em maior quantidade. Um funcionário na portaria desse espaço anota a placa do carro, o endereço desse morador- que nem precisa sair do veículo- pergunta o que será descartado e mais: o carro passa por uma balança própria, para que seja anotado quanto desse tipo de lixo está sendo descartado.

O carro é pesado antes e depois, pra que a conta seja feita, pois caso passe do limite estabelecido gratuitamente, o que for além tem um custo.

Que interessante né gente? E olha a observação da Regina:

“ Os ricos produzem mais lixo que os pobres!!! E quanto mais você consome, mais lixo vc produz, e isso deve servir pras pessoas pensarem duas vezes, pois estará pesando no bolso”

Num espaço reservado desse mesmo local, as pessoas podem deixar objetos que podem ser reaproveitados por outras pessoas, como bicicletas velhas e moveis.

No Canadá, as garrafas de vidro podem ser descartadas nas caixas azuis, mas também podem ter outro destino pois o governo possui um programa de incentivo…vamos saber do que se trata:

Assim, ficamos sabendo como funciona o processo de reciclagem na província canadense de Sudbury. Se você quiser colaborar nos contando sobre a reciclagem em outros países, basta entrar em contato conosco, certo?

Nossos agradecimentos à Regina Soranz que nos ajudou a ilustrar essa matéria com todo seu conhecimento!!!

 

 

Reciclagem pelo mundo

A epidemia do coronavírus nos impôs vários desafios, incluindo a reciclagem e a forma de como lidar com problemas socioambientais. Pra quem já era acostumado a essa saudável prática de reciclar, nenhuma novidade, certo?

O fato de termos ficado em casa durante muito tempo no início de 2020, muitas vezes comprando mais produtos que demandavam o uso de plástico- embalagens de comida por delivery, por exemplo – não impediu que praticássemos a reciclagem.

Mas quem não possuía esse costume, certamente deve ter estranhado. Espero, pelo menos, que o bom senso tenha prevalecido e que o período de confinamento tenha servido de aprendizado!

Alguns dados:

De acordo com um recente balanço da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Abrelpe, no mês de abril de 2020 houve uma variação na quantidade e composição dos resíduos gerados no Brasil: a geração de  resíduos sólidos urbanos (que inclui resíduos recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos) foi 7,25% menor em relação ao mesmo mês de 2019, com aumento no volume de resíduos recicláveis entre 25 e 30%.

No entanto, muitas cooperativas, essenciais à cadeia de reciclagem, tiveram suas atividades reduzidas ou mesmo interrompidas devido à pandemia. Algumas cidades dos Estados Unidos suspenderam programas  de reciclagem, em alguns países da União Europeia a gestão de resíduos foi restringida, e na cidade de São Paulo apenas a separação mecanizada não foi interrompida, resultando, em alguns casos, na falta de materiais recicláveis nas indústrias recicladoras.

E como será que anda, agora, neste início de 2021, a reciclagem ao redor do mundo? E quais serão as expectativas para este ano que está ainda começando?

Sempre nos deparamos com alguma novidade, com coisas interessantes que acontecem em outros países – bem desenvolvidos, aliás – e ficamos pensando se fossem aplicadas aqui, como seria.

Recebemos, há poucos dias, de uma ouvinte, um vídeo de como são recicladas as garrafas pet na Alemanha. Pode ser que você até já conheça, mas pode ser que não.

Então resolvemos compartilhar aqui no blog e aproveito para agradecer à nossa ouvinte essa colaboração

Se você também tiver alguma sugestão ou quiser compartilhar algum vídeo conosco, basta entrar em contato ou deixar seu comentário na parte a ele reservada deste blog.

 

Créditos:  Vídeo enviado pela ouvinte Lucimar Fernandes, de São Paulo, capital

Rádio Ecosystem acompanha, por acaso, recolhimento de tartaruga-marinha

Tartaruga verde encontrada morta na praia em Itanhaém

No final de dezembro, a equipe da Rádio Ecosystem estava em Itanháem, litoral sul paulista, e por acaso presenciou dois pescadores retirando do mar uma tartaruga marinha, de tamanho considerável.

A princípio, parecia que o animal estava vivo, mas, infelizmente,  soubemos logo que não.

Por conta da pandemia, obedecendo os protocolos de distanciamento, mesmo sendo na praia, foi impossível manter  diálogo com os pescadores para descobrir qual seria o procedimento, pois sabíamos que não iriam deixar a tartaruga abandonada na areia.

De longe, após cerca de 40 minutos, pudemos registrar a chegada de um carro e o recolhimento do animal, mas não podíamos encerrar por alí nossa história, certo?

Já em São Paulo, fiz uma pesquisa na internet e depois de várias informações, de entrar em contato com diversos órgãos de resgate e recolhimento de animais marinhos, consegui a informação que precisava para enriquecer minha matéria.

Através da assessoria de imprensa do Instituto Biopesca, com sede em Santos, fiquei sabendo detalhes da tartaruga encontrada em Itanhaém.

Vou descrever aqui o relato:

Uma tartaruga-verde( Chelonia mydas ) foi recolhida já sem vida na manhã do dia 21/12 em Itanháem, São Paulo, pela equipe do Instituto Biopesca, que executa o projeto de Monitoramento de praias da Bacia de Santos. Em decorrência do avançado estado de decomposição da carcaça, não foi possível determinar a causa de sua morte.

O recolhimento ocorreu após a instituição ter sido acionada por um popular que encontrou o animal.

Desde que começou a executar o Projeto de monitoramento de praias, em agosto de 2015, o IBP já recolheu mais de duas mil e seiscentas tartarugas-verdes em praias de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Desse total, apenas 6 e meio por cento estavam vivas. Já em Itanhaém, foram encontrados aproximadamente 1.110 animais dessa espécie, cerca de 7 por cento ainda com vida!

Em muitos casos, a identificação da causa da morte está comprometida em função do avançado estado de decomposição da carcaça. No entanto, os exames necroscópicos realizados em outros animais (aves e golfinhos), além de tartarugas, evidenciam a presença de lixo em seu trato digestório , caso da tartaruga-verde encontrada em Itanhaém, no final de dezembro.

Esse problema pode colaborar com o motivo do óbito.

Só para se ter uma ideia, entre janeiro e agosto de 2020, o Instituto Biopesca realizou, aproximadamente, 230 necropsias de animais marinhos. Desse total, quase 80 apresentavam interação com resíduos (presença de lixo no trato gastrointestinal ou preso de alguma forma ao corpo do animal. Desses, mais de 30 ingressaram vivos debilitados, na maioria muito magros, mas vieram a óbito.

tartaruga verde encontrada boiando por um pescador

 

Chegada do carro do Instituto Biopesca para recohimento do animal:

 

Em breve vocês ficarão conhecendo um pouco mais do Instituto Biopesca e como fazer para acionar o serviço de resgate de mamíferos, aves marinhas e tartarugas, caso seja necessário.

Conhecendo mais sobre Tartarugas cabeçudas

Há tempos que nós da redação da rádio ecosystem estamos ensaiando um post pra falar sobre tartarugas marinhas, tipos existentes, características, além do que é feito, aqui no Brasil, para preservação das espécies existentes ao longo do nosso litoral.

E essa semana, recebemos fotos e vídeos de uma amiga, Simone Requena, que , coincidentemente, está viajando pelo litoral da Bahia e nos presenteou com esse material inédito, genuíno, para enriquecer nossa postagem.

Esperamos que todos vocês gostem, aprendam com a leitura e se deliciem com as imagens.

Stela Lopes( da redação )

Hoje vamos falar um pouco sobre as tartarugas cabeçudas, também conhecidas como tartarugas mestiças.

A tartaruga cabeçuda nada pelos oceanos Atlântico, Pacífico e Indico, ou seja, em mares tropicais, subtropicais e temperados. Mesmo espalhada por uma área tão vasta, ela não está a salvo, como fica claro pelas ameaças que sofre no Brasil. Por aqui, a cabeçuda pode ser avistada ao longo de todo litoral, mas as principais áreas reprodutivas são a Costa do Sergipe e o norte da Bahia, além do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro

Filhotes de tartaruga cabeçuda
Filhotes de tartaruga cabeçuda/Itaipu de Fora, Península de Marau, Bahia Foto: Simone Requena

Nessas regiões, a tartaruga-cabeçuda, um animal marinho, vem à praia para desovar durante as noites de primavera e verão no hemisfério Sul. Quer dizer, as fêmeas vêm à terra firme. No caso dos machos, após eclodirem dos ovos e irem até o mar, o restante da vida é subaquática. As tartarugas, no entanto, respiram ar em rápidas subidas à superfície que duram até três segundos. Em contrapartida, conseguem ficar submersas por cinco minutos

Nome comum: Tartaruga-cabeçuda   Nome científico: Caretta caretta

Tipo: réptil    Dieta: são carnívoras, alimentando-se de caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados

Tempo de vida médio na natureza: mais de 50 anos

Tamanho: 1 metro Peso: Média de 140 kgs

Status de ameaça: em perigo   Tendência populacional: declinando (IUCN)/aumentando (ICMBio)

Número de ninhos do Brasil: aproximadamente 8200 por temporada

 

Segundo nossa colaboradora, a publicitária Simone Requena, o Val, que vocês acabaram de ver no vídeo acima, é um dos voluntários que buscam e protegem os ninhos de tartarugas cabeçudas. Muitas vezes, quadriciclos acabam atropelando esses filhotes indefesos, e o trabalho de procurar e preservar os ninhos da espécie é de suma importância para a região da Península de Marau, na Bahia.

Depois que as tartarugas botam os ovos, esses “anjos voluntários” demarcam os locais e monitoram cada um deles, para evitar acidentes durante, aproximadamente, 50 dias!!!

Passado esse período, os ovos eclodem, as pequenas criaturas nascem e buscam o mar.

 

 

 

 

Que calor é esse?

Massas de ar seco seguem estacionadas no centro do país formando o chamado bloqueio atmosférico. Ausência de corrente de ar fria durante o inverno contribuiu para elevação das temperaturas

Pois é. Vamos tentar entender, pois não está sendo nada fácil encarar um calorão desses em pleno início de primavera, ainda mais em cidades pouco, ou quase nada, acostumadas à temperaturas acima dos 30 graus, como é o caso da capital paranaense, Curitiba, onde os termômetros subiram até 35 graus!!!

Nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pará, Tocantins, Piauí, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, as temperaturas, em diversas cidades, ficaram entre 40 e 44 graus.

As pancadas de chuva, que costumam ficar mais presentes a partir deste mês, devem ocorrer de forma pontual na primeira metade de outubro. Isso acontece porque grandes massas de ar seco seguem pelo centro do país.

São os chamados bloqueios atmosféricos, que atuam como uma barreira impedindo o avanço de frentes frias ou outro sistema que consiga levar chuva para a região, como os “rios voadores”, que carregam a umidade da região amazônica para o Centro-Oeste e Sudeste

Este ano o bloqueio está ainda mais forte porque a temperatura na superfície do mar está mais alta que o normal, fazendo com que as frentes frias desviem para o alto mar.

Os efeitos deste sistema são sentidos especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e no Sul do país

Termômetro de rua na capital paulista assinalando 38 graus

Outro fator que contribui para as altas temperaturas é a corrente de ar conhecida como jato polar, que não passou tanto pelo Brasil durante o inverno e começa a passar cada vez mais ao sul, na região da Argentina e do Polo Sul.

 

Incêndios florestais atingem também a Argentina

Não é apenas aqui no Brasil que as queimadas estão devastando regiões do Pantanal, Serra do Cipó, em Minas Gerais, e vários pontos da Amazônia.

No início desta semana, incêndios florestais muito próximos às casas de Villa Parque Siquiman, um conjunto residencial perto de Córdoba, na Argentina, assustaram os moradores.

Bombeiros foram ao local tentar debelar as chamas e algumas pessoas relataram que o incêndio no bairro teve origem intencional. Em apenas 20 minutos, afirmaram testemunhas, quatro focos se formaram nas proximidades de Villa Parque Siquiman.

As autoridades não confirmaram a origem do fogo, mas não descartam um possível criminoso ter colocado fogo em algumas partes da província.

Ainda assim, o calor também tem contribuído para os incêndios na região: temperaturas passaram do 30°C no centro da Argentina, chegando perto dos 40°C em algumas áreas.

A expectativa é que a chuva nos próximos dias reduza os focos de queimada, que destruíram mais de 95 mil hectares na província de Córdoba.

Dourado: o peixe que virou símbolo da conservação da biodiversidade no Pantanal

 

Gustavo Sivieri Tsukahara com um exemplar de Dourado durante pesca esportiva

O Pantanal abriga pelo menos 300 espécies conhecidas de peixes em seu vasto Rio Paraguai e em centenas de quilômetros de afluentes, mas só uma carrega título de realeza: o dourado (Salminus brasiliensis). Conhecido como “rei do rio” por seu comportamento de predador, por seus saltos para fora d’água e por travar embates com a vara do pescador que podem durar horas, ele ganhou, neste ano, uma proteção diferenciada dos demais: seu abate está proibido em todo o território de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Isso quer dizer que os pescadores podem fisgar o peixe, mas não matá-lo. Se alguém soltar a linha no rio e um dourado morder a isca, a orientação é não provocar ferimentos e devolvê-lo à natureza o quanto antes.

Não existiam evidências científicas concretas quando, em 2009, Cáceres (MT) se tornou o primeiro município a proteger o dourado em seus rios – permitindo que os pescadores apenas retirassem o peixe do anzol e o devolvessem à natureza. Mas também não faltavam impressões empíricas, segundo os moradores locais, de que o tamanho dos dourados capturados eram cada vez menores.

A sabedoria popular tem levado a melhor desde então: em 2012, o estado de Mato Grosso seguiu os passos de Cáceres; no ano seguinte, foi a vez do município de Corumbá (MS). Em janeiro de 2019, o abate do chamado “rei do rio” se tornou proibida em todo o território de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Foi assim que o dourado se tornou o símbolo das políticas de conservação da biodiversidade na região.

Gustavo se preparando para devolver o Dourado ao rio