Rádio Ecosystem acompanha, por acaso, recolhimento de tartaruga-marinha

Tartaruga verde encontrada morta na praia em Itanhaém

No final de dezembro, a equipe da Rádio Ecosystem estava em Itanháem, litoral sul paulista, e por acaso presenciou dois pescadores retirando do mar uma tartaruga marinha, de tamanho considerável.

A princípio, parecia que o animal estava vivo, mas, infelizmente,  soubemos logo que não.

Por conta da pandemia, obedecendo os protocolos de distanciamento, mesmo sendo na praia, foi impossível manter  diálogo com os pescadores para descobrir qual seria o procedimento, pois sabíamos que não iriam deixar a tartaruga abandonada na areia.

De longe, após cerca de 40 minutos, pudemos registrar a chegada de um carro e o recolhimento do animal, mas não podíamos encerrar por alí nossa história, certo?

Já em São Paulo, fiz uma pesquisa na internet e depois de várias informações, de entrar em contato com diversos órgãos de resgate e recolhimento de animais marinhos, consegui a informação que precisava para enriquecer minha matéria.

Através da assessoria de imprensa do Instituto Biopesca, com sede em Santos, fiquei sabendo detalhes da tartaruga encontrada em Itanhaém.

Vou descrever aqui o relato:

Uma tartaruga-verde( Chelonia mydas ) foi recolhida já sem vida na manhã do dia 21/12 em Itanháem, São Paulo, pela equipe do Instituto Biopesca, que executa o projeto de Monitoramento de praias da Bacia de Santos. Em decorrência do avançado estado de decomposição da carcaça, não foi possível determinar a causa de sua morte.

O recolhimento ocorreu após a instituição ter sido acionada por um popular que encontrou o animal.

Desde que começou a executar o Projeto de monitoramento de praias, em agosto de 2015, o IBP já recolheu mais de duas mil e seiscentas tartarugas-verdes em praias de Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Desse total, apenas 6 e meio por cento estavam vivas. Já em Itanhaém, foram encontrados aproximadamente 1.110 animais dessa espécie, cerca de 7 por cento ainda com vida!

Em muitos casos, a identificação da causa da morte está comprometida em função do avançado estado de decomposição da carcaça. No entanto, os exames necroscópicos realizados em outros animais (aves e golfinhos), além de tartarugas, evidenciam a presença de lixo em seu trato digestório , caso da tartaruga-verde encontrada em Itanhaém, no final de dezembro.

Esse problema pode colaborar com o motivo do óbito.

Só para se ter uma ideia, entre janeiro e agosto de 2020, o Instituto Biopesca realizou, aproximadamente, 230 necropsias de animais marinhos. Desse total, quase 80 apresentavam interação com resíduos (presença de lixo no trato gastrointestinal ou preso de alguma forma ao corpo do animal. Desses, mais de 30 ingressaram vivos debilitados, na maioria muito magros, mas vieram a óbito.

tartaruga verde encontrada boiando por um pescador

 

Chegada do carro do Instituto Biopesca para recohimento do animal:

 

Em breve vocês ficarão conhecendo um pouco mais do Instituto Biopesca e como fazer para acionar o serviço de resgate de mamíferos, aves marinhas e tartarugas, caso seja necessário.

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