Vamos falar de maritacas?

O trabalho em home office, às vezes, é cansativo, mas pode se tornar atraente se você começar a observar detalhes ao redor da sua residência que, antes da pandemia, não faziam a menor diferença.

Se você estiver lendo esse post agora, e discordar de mim, tudo bem: de repente isso vale pra mim justamente porque estou escrevendo sobre meio ambiente e porque dois casais de maritacas estão no telhado da casa da minha vizinha fazendo a maior algazarra, dando a entender que seriam dezenas deles!

Então, resolvi abrir outra página do word e vou aproveitar o clima pra falar das maritacas, como já nos acostumamos a elas e como mantemos uma boa convivência.

casal de maritacas em telhado de uma casa na zona oeste de São Paulo

As maritacas, também conhecidas como periquitão-maracanã, são psitacídeos encontrados em muitos países da América do Sul, sendo, em muitos locais do continente, considerado sinantrópicos, ou seja, animais silvestres que são comumente confundidos com animais domésticos devido à sua frequência em cidades. Nas áreas urbanas, esses animais não só sobrevivem como também se reproduzem, o que muitas vezes gera conflitos com os humanos por serem extremamente barulhentas, tanto quando estão voando como paradas nos beirais dos telhados.

Na época reprodutiva, esses animais formam casais e procuram – cada casal isoladamente – locais para nidificar. A nidificação pode ocorrer em ocos de pau, palmeiras de buriti, paredões de pedra e no caso dos centros urbanos, comumente em telhados de edificações. Os ovos são postos diretamente na superfície do local de nidificação, como em muitos psitacídeos e assim, não possuem o hábito de juntar material para a construção de um ninho, como muitas vezes observados em espécies de passeriformes.

Estudos apontam que o consumo de terra (geofagia) auxilia na redução da toxidez de alguns dos compostos das plantas que a ave ingere, além de fornecer nutrientes como sais minerais. Fora da cidade, elas costumam encontrar esse alimento em barrancos.

Como o bico das maritacas cresce bastante, elas costumam raspar em alguma pedra para fazer uma manutenção natural

As maritacas (Psittacara leucophtalma) antes classificadas no gênero Aratinga, são animais de coloração esverdeada que apresentam as coberteiras inferiores da asa vermelhas, podendo possuir penas vermelhas também nas laterais da cabeça e no pescoço.

Pesam em torno de 140 a 171 gramas e possuem um tamanho médio de 30 a 32 centímetros. Alimentam-se de frutos e sementes e habitam na natureza, tanto áreas de bordas de mata e cerradão, como também áreas abertas.

São facilmente avistadas no período não reprodutivo, quando possuem o hábito de voar em bandos de 5 a 40 indivíduos.

Vivem, em média, de 20 a 30 anos em cativeiro, tempo que diminui se for na natureza, por estarem expostas a condições climáticas mais intensas.

As gerações mais antigas achavam que as maritacas podiam ser retiradas da natureza para se tornarem animais de estimação, mas, felizmente, esse conceito foi revisto e foram criadas leis de proteção da fauna e flora brasileiras.

Hoje, portanto, é CRIME criar aves retiradas da natureza sem critério e prévia autorização dos órgãos governamentais

 

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